31 janeiro 2013

Qual será a “lógica da Mirante de Imperatriz” para atacar Madeira?


A primeira vista tal indagação parece um tanto quanto estapafúrdia, mas, considerando todo um contexto, eis uma questão no mínimo intrigante.
Do ponto vista jornalístico há quem afirme que a Mirante cumpre o seu papel de imprensa quando, diuturnamente, propaga, como culpa exclusiva do prefeito Madeira, o fato de a maioria das ruas de Imperatriz não ter asfalto, de parte das escolas municipais funcionar em prédios alugados, de as filas no Posto de Saúde dos Três Poderes e a superlotação do Socorrão serem um problema hodierno, etc...
Quase imbatível o argumento se a obrigação de informar, como fundamento da imprensa, fosse um dever sazonal, adstrito à maré política ou a cor partidária do prefeito de plantão.
Parece-nos indefensável, do ponto de vista da ética jornalística e da coerência profissional, que a Mirante de hoje, silente a desordem administrativa de ontem (reinado de Ildon Marques e seus asseclas), responsável por grande parte do caos vivido pelo povo, adote, agora, no segundo mandado de Madeira, uma postura que não adotara no passado de marasmo.
Sim, porque as mazelas de hoje, potencializadas pela Mirante, eram maiores e mais graves no passado. Haviam mais ruas com buraco, mato e lama em Imperatriz, as pessoas “dormiam” nas filas do Três Poderes e centenas delas eram castigadas ao receber socorro médico no chão ou em bancos de madeira e cadeiras de macarrão num hospital que mais parecia uma pocilga. Os casos de dengue eram alarmantes e os programas sociais eram quase obsoletos. Mas nada disso era ou foi divulgado pela Mirante, que, também, não fez sequer uma tomada da meleira de borra asfáltica que maquiou ruas da periferia e endividou Imperatriz na gestão do antecessor de Madeira. 
Naquele tempo, do ponto de vista da lógica político-eleitoreira, era possível compreender a escrota postura da Mirante, que mandou às favas o dever de informar da imprensa.
Contudo, em tempos atuais, tenho dificuldade de enxergar a lógica que faz da Mirante de Imperatriz a mais desleal oposição a gestão do prefeito Madeira.
Sabe-se que a corrida pelo governo do Maranhão já começou. Dois grupos, aparentemente antagônicos, dialeticamente falando, têm chances no Palácio dos Leões. Um, o de Sarney, que lá estar e de lá não quer sair, que tem como preposto o secretário de Estado da Administração, Luiz Fernando. Outro, o de Flávio Dino, que tá doido pra entrar.  Sabe-se, também, que ambos, para vencer a batalha eleitoral, têm duas fortalezas que se lhes são imprescindíveis: São Luis, agora nas mãos de Dino, através da marionete Holandinha, e Imperatriz – leia-se Região Tocantina --, nas mãos de Roseana, através do bem avaliado reeleito prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que assumiu a posição de fiel da balança.
Nesse contexto, pergunto, deverasmente intrigado: qual é, então, a lógica da Mirante de Imperatriz para atacar, diariamente o único e principal aliado político-eleitoral de Roseana na hercúlea tarefa de eleger o senhor Luiz Fernando? Como Madeira, apanhando todos os dias dos factóides da Mirante poderá consolidar uma aliança político-eleitoral em torno do candidato de Roseana?
Diante dessa cogitação, que espreita a lógica política ou o pragmatismo eleitoral, indago: não seria um tanto quanto arriscado demais para o candidato de Roseana Sarney enfrentar o processo eleitoral com a Ilha e a Terra do Frei no mesmo prato da balança política que pende para Flávio Dino? Será que o eventual fracasso da gestão Madeira, nesse segundo mandato, não seria a derrocada da pretensão política de Roseana e de seu ilustre desconhecido candidato, Luiz Fernando? Será que a postura da Mirante, de infernizar a gestão Madeira, é  resultado apenas de uma fatura de mídia que não foi paga ou de um contrato publicitário não firmado? Será que há alguém capaz de sustentar, sem tremer a cara, que a Mirante de Imperatriz conquistou o status de ideário de imprensa livre, com autonomia de praticar linha editorial à revelia de sua patroa?
E para esquentar o debate gostaria de saber: se há, abaixo dos céus, para Sarney, interesse maior que àquele de permanecer mais tempo mandando no Maranhão?
Certamente os senhores Fernando Sarney, Antonio Filho e Alan Neto têm a resposta.
Por Chico Militante
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