04 dezembro 2013

Os candidatos na Globo: Dilma, 64 minutos. Campos, 8 minutos. Aécio, 1 minuto.

O PSDB decidiu medir o espaço dedicado aos presidenciáveis nos telejornais da TV Globo. Monitorou o ‘Bom Dia Brasil’, o ‘Jornal Nacional’ e o ‘Jornal da Globo’. Os tucanos ficaram de bico aberto com o grau de exposição da presidente-candidata Dilma Rousseff na emissora de maior audiência do país.
 
Nos últimos dois meses, constatou a legenda, as reportagens protagonizadas por Dilma ocuparam 64 minutos nos três telejornais da Globo. No mesmo período, as notícias estreladas pelo tucano Aécio Neves preencheram 1 minuto e 30 segundos. O noticiário envolvendo Eduardo Campos, opção presidencial do PSB, durou 8 minutos e 40 segundos.
 
É natural que Dilma apareça mais nos meios de comunicação. Da vitrine do Planalto, um espirro dela chamará mais a atenção das manchetes do que uma pneumonia dos rivais. Ainda assim, o PSDB espantou-se com a superexposição da candidata do PT. Atribui o fenômeno a atos de campanha camuflados na agenda da presidente como eventos oficiais.
 
Eduardo Campos roçou os 9 minutos na tela da Globo por causa do rebuliço provocado por sua aliança com Marina Silva, um fato de alta relevância jornalística. Aécio só não teve menos de um minuto porque virou notícia ao criticar a ação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) no inquérito da PF sobre o cartel suspeito de fraudar licitações de trens e do metrô em São Paulo.
 
Foi contra esse pano de fundo que Aécio disse ao blog no último domingo, ao comentar a liderança de Dilma no Datafolha, que “a presença da presidente nas mídias de massa é avassaladora”. Na sua definição, há hoje “um monólogo”, não uma disputa real. Acha que a coisa tende a ficar menos desigual só partir de março de 2014.
 
Também no domingo, em artigo veiculado em vários jornais, Fernando Henrique Cardoso, grão-mestre do PSDB, também realçou a desigualdade da contenta. “A candidata oficial, pela posição que ocupa, tem cada ato multiplicado pelos meios de comunicação. Como o exercício do poder se confundiu, na prática, com a campanha eleitoral, entramos já em período de disputa.” Para complicar, anotou FHC, as oposições estão “berrando pouco''.
 
A expectativa de Aécio, compartilhada por Eduardo Campos, é a de que os eleitores que anseiam por mudanças prestarão mais atenção à oposição quando os fatos e a legislação eleitoral elevarem a taxa de holofotes dos contendores de Dilma. Segundo o Datafolha, 66% dos brasileiros preferem que o próximo presidente tome decisões majoritariamente diferentes das que Dilma adotou.
 
Os antagonistas do PT atribuem mais importância a esse dado do que aos índices de intenção de voto: 47% para Dilma, contra 19% atribuídos a Aécio; e 11% a Campos. Os antipetistas recordam que faltam mais dez meses para a eleição. E invocam precedentes. Em 2009, nessa mesma fase do ano, o tucano José Serra liderava todas as pesquisas eleitorais. (Blog do Josias)
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