25 janeiro 2015

Ferreira Gullar ou Neném Bragança? Dois grandes nomes que não merecem esse debate.

IMPERATRIZ_   Projeto do vereador recém empossado Professor Adonilson (PC do B) tenta mudar o nome do Teatro Municipal Ferreira Gullar para Neném Bragança, artista, compositor e incentivador da cultura local, vitimado pelo câncer no ultimo mês. 
Autor: Vereador Adonilson


Em conversa com o editor do blog, o vereador disse que "A apresentação está sendo legitimada vários artistas, como didi praes, zeca Tocantins, chico do Teatro. E justificou o projeto dizendo, "a carência de políticas públicas é tão grande que uma parcela grande do povo deseja tudo o que merece ao mesmo tempo, e como o legislativo não tem como fazer isso. Fica a ideia do político que nada faz. Acredito que a discussão ta servindo pra balançar um pouco a dinâmica dos interesses da cultura na cidade."

Dado a sensibilidade da questão, é preciso, antes de qualquer coisa, alertar que não existirá nesta breve analise, que possui o desejo simples de apresentar o contraditório, nenhum intento de impedir isso ou aquilo outro, mas sim de trazer o outro lado sob pena que não sejam apresentados, já que a pauta irá para uma assembleia, portanto, em meio há um momento ainda de comoção em que o desejo e sentimento possam prevalecer à luz da razão, já que também será a primeira vez que as palavras sinceras de reconhecimento à história do saudoso artista poderão estar vistas ao ponto do debate e discurso dos vereadores. Por isso vem o alerta, sob pena da emoção incorrer em erro e resultar na aprovação de um projeto que pode apagar uma grande homenagem para construir outra. 
Neném Bragança - eterno defensor da cultura local

Em hipótese alguma podemos desqualificar a importância e o sentimento de justiça que inclui o projeto que altera o nome do teatro Ferreira Gullar para o do artista falecido recentemente Nenén Bragança, no entanto, o resultado politico e social já possui seu efeito, visto que a repercussão em sí trouxe à tona o autor e fato que ora confronta os mais conservadores em meio a mesma vontade do vereador recém empossado professor Adonilson, o de não deixar que a história se apague.
Maranhense Ferreira Gullar 
Mas é preciso constar que trocar o nome de um grande brasileiro por outra grande brasileiro é meio confrontador, visto, porém, que em meio a homenagens não podemos desprezar um para exaltar o outro. Mas uma frase simbólica contribuirá para esse debate, justamente para que a manifestação não passe de duas bases, a principio, a do projeto feito pelo professor e da contestação feita por mim. Veja a manifestação do Xerxes Aguiar, apresentador, produtor e professor:
“Com tanta necessidades de propostas , significantes pra cidade vem ai mais uma pérola do legislativos de Imperatriz. Após a morte do nosso querido e talentoso Neném Bragança em um surto de lembrança vereadores propõem como forma de homenagem (quando vivo ninguém homenageava),querem trocar o nome do Teatro para Neném Bragança. Sinceramente, pra min é só mais uma justificativa da presença de alguns legislativos, uma atitude hipócrita tendo em vista que nunca partiu dali alguma iniciativa no sentido de ajudar os artistas locais em vida. Se realmente esses cidadãos querem homenagear o artista que contribuam do próprio salário com uma mesada de pelo 150 reais de cada vereador (R$ 3150 por mês), isso sim é uma homenagem, o resto é político e hipocrisia”.

QUEM É FERREIRA GULLAR_
Pois bem, Com 84 anos, certamente, o poeta Ferreira Gullar, ainda vivo, não se transformará em pedra, e ao certo, a dor da troca de uma história por outra virá ao entrar em seu descanso eterno. O projeto que troca Artur por Neném não só poderá ser visto como um erro, se ocorrer, como poderá fazer parte da história pelo ledo engano. 

Abaixo como o site da globo relatou a ingresso de Ferreira Gullar para a academia Brasileira de Letras:

Ferreira Gullar, Poeta, ocupa foi conduzido por 36 dos 37 votos à imortal membro da Academia Brasileira de Letras no final de 2014, na cadeira 37, que antes era ocupada por Ivan Junqueira, mas também já foi de Getúlio Vargas, Chateaubriand e João Cabral de Melo.

Ferreira Gullar, um dos mais aclamados autores brasileiros vivos, é o pseudônimo José Ribamar Ferreira. Ele nasceu em São Luís, no Maranhão, em 10 de setembro de 1930. Publicou seu primeiro livro, "Um pouco acima do chão", aos 19 anos de idade. Dentre suas principais obras, estão "A luta corporal" (1954), "Dentro da noite veloz" (1975), "Poema sujo" (1976) e "Na vertigem do dia" (1980) Seu mais recente é "Em alguma parte alguma", que ganhou o prêmio Jabuti de livro do ano em 2011. 

Teatro Municipal Ferreira Gullar

A SUGESTÃO_

Para não nos depararmos em simples criticas, como disse o vereador e autor do projeto ao ser indagado por mim, sobre mudar o nome de um grande brasileiro por outro grande brasileiro, Adonilson disse que este sentimento era limitado a “alguns críticos de natureza política”. Vale lembrar, porém, que isso tudo é politica, assim como o nobre parlamentar é “POLÍTICO”, e que as razões naturais que implora pelo contraditório em meio a acertos e erros do legislativo municipal são e sempre serão de natureza POLÍTICA, claro que em um regime democrático sob os olhos da constituição e da livre manifestação e opinião. 

Prédio da CAEMA abandonado
Fica a sugestão, ao invés do Teatro o Centro Cultural, e o professor Adonilson como amigo do governador, poderia unir as forças na doação do antigo e abandonado prédio da CAEMA, que seria nomenclaturado como Centro Cultural Neném Brabança.

Vejamos: Desde o ano de 2012 o agora assessor do vereador Adonilson, Carlos Leen é um dos cabeças assim como o promotor Marcelo Trovão, do projeto que, através do Movimento Cultural de Imperatriz tenta transformar o antigo prédio da Caema, localizado no Bairro Caema, Imperatriz, em espaço cultural. Neste ano o prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira se reuniu com o governador Flávio Dino e com a direção da CAEMA para tentar avançar no projeto de doação do prédio abandonado, baseado nisso, no interesse do vereador em homenagear nosso grande artista, na sua posição POLITICA de aliado e amigo do governador, Adonilson poderia também solicitar ao governo para apressar a doação do prédio, que honrosamente poderia se chamar Espaço Cultural Neném Bragança, ao invés, de simplesmente, arrancar uma homenagem para construir outra.

A questão não é desprezar ou enaltecer, mas fazer a coisa certa, sem aproveitamentos, sem vanglórias ou super-feitos, para que não seja necessário desconstruir o feito para construir outro.

"O projeto não é simplesmente contraditório, é polêmico propositalmente". 





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