02 março 2015

Gauchinha preconceituosa vira noticia nacional


Matéria do "O GLOBO" relata o preconceito da gauchinha desempregada da SUZANO, que lançou veneno contra sí ao criticar a cultura e as pessoas do Maranhão. 

MP investiga declarações preconceituosas de gaúcha contra o Maranhão
O GLOBO_
Jovem chamou mulheres de periguetes e os homens de malandros e chamou de lixo o bumba meu boi e o tambor de crioula

SÃO LUÍS e PORTO ALEGRE - Os promotores de Justiça Joaquim Ribeiro Junior, Alessandro Brandão e Ossian Bezerra, da Comarca de Imperatriz, instauraram nesta segunda-feira um Procedimento de Investigação Criminal para apurar as circunstâncias em que ocorreram as afirmações proferidas, em 1º de março, no Facebook, pela gaúcha identificada como Isabela Cardoso, de 24 anos, contra o Estado do Maranhão, os maranhenses e sua cultura.

No último domingo, Isabela – que se identifica como sendo da cidade de Gramado – divulgou em seu perfil na rede social a seguinte afirmação: “Finalmente em casa, depois de 1 ano e 7 meses na Suzano de Imperatriz eu e meu esposo retornamos a nossa cidade. Estado pobre, kkkkkkkkkk. A cultura maranhense é horrível. O carnaval é um lixo. Tal de bumba meu boi, tambor de crioula. A maioria das mulheres são (sic) periguetes e os homens malandros. Mais da metade das pessoas são (sic) semi-analfabetas, #AmoMinhaCidade #Gramado RS”.

A afirmação teve repercussão em diversos portais e blogs. Tanto o bumba meu boi como o tambor de crioula são patrimônios culturais imateriais do Brasil, título concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No domingo à tarde, a assessoria da empresa Suzano Papel e Celulose informou que Isabela “nunca fez parte do quadro de colaboradores da empresa, mas que, independentemente disso, a empresa repudia tal comportamento”. A Suzano informou, ainda, que “se coloca à disposição para colaborar com quaisquer investigações que se façam necessárias e reforça que os usuários de mídias sociais são pessoalmente e integralmente responsáveis pelo conteúdo de seus posts”.

Segundo o promotor Joaquim Ribeiro Júnior, “a Constituição Federal repudia discriminação de qualquer natureza”. “O que torna o povo brasileiro especial é justamente sua diversidade. O Ministério Público do Maranhão adotará posições firmes com o objetivo de coibir práticas dessa natureza”, afirmou o promotor.

De acordo com os representantes do MPMA, o art. 20 da Lei 7.716/89, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, estabelece como crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência”. Os promotores destacam ainda que, se qualquer dos crimes previstos é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, os condenados estão sujeitos à pena de reclusão de dois a cinco anos e ao pagamento de multa.

O MP também solicitou à Justiça a notificação do responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa Suzano em Imperatriz para prestar esclarecimentos.

FORA DO AR

O perfil de Isabela Cardoso em uma rede social foi retirado da página logo depois que a informação sobre um pedido de investigação criminal por parte do Ministério Público do Maranhão por discriminação foi divulgado. No perfil, Isabela se apresenta como nascida em Porto Alegre, mas moradora da cidade de Gramado, na Serra gaúcha. O link com as agressões também foi removido.
Não foi possível confirmar se as informações que constam do perfil de Isabela, que diz ter 24 anos, são verdadeiras. Na sua página consta que a autora das supostas acusações xenófobas, publicadas no domingo, estudou na Universidade Feevale, localizada na cidade de Novo Hamburgo – região metropolitana de Porto Alegre. A universidade nega.

A pedido de O GLOBO, a instituição fez uma pesquisa em seus bancos de dados e não encontrou nenhuma aluna – seja de curso superior, seja das séries do Ensino Médio – com o nome que consta no perfil e nem com a data de nascimento informada pela internauta. Segundo a assessoria de imprensa da Feevale, ninguém com as características informadas no perfil de Isabela Cardoso “teve ou tem vínculo, em qualquer tempo, com esta instituição”.

As declarações da suposta internauta repercutiram mal na internet. Uma usuária da rede social de Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão e que foi alvo das críticas da gaúcha, criou uma página para buscar adeptos a um pedido de indenização contra Isabela. Em quatro horas, a petição já tinha 178 signatários de diversos estados.

“Me senti ofendida, assim como todos os imperatrizenses, e é sim direito nosso processá-la”, escreveu a administradora da página, Luana Mesquita. A maioria dos internautas apoiou a iniciativa. “Sou de Curitiba/Paraná e repudio esse comportamento, sendo de qualquer lugar do mundo, pois cada lugar tem seu encanto, sua beleza, suas dificuldades, suas qualidades e seus defeitos. Não gostou do lugar, é simples, não vai mais”, escreveu uma internauta do Paraná.

“Interessante esta jumenta se achar muito boa de ter vindo do sul para o meu querido nordeste trabalhar aqui para não MORRER DE FOME na terra que ela tanto ama”, escreveu outro usuário da rede, que se identificou apenas como nordestino.


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