08 setembro 2023

Pesquisa mostra que o Brasil lidera o ranking de países da América Latina mais vulneráveis a ataques cibernéticos

Segurança cibernética será um dos principais assuntos a serem tratados pelas empresas nos próximos anos


A digitalização tem sido vivenciada como nunca antes. Novas tecnologias, implantação de ferramentas à base de inteligência artificial (IA), a automação de processos como uma das mais importantes demandas entre as organizações ao redor do mundo e junto a essa evolução, um problema se destaca: segurança cibernética.
Segundo dados emitidos pela Netscout, no relatório (Global DDoS Threat Intelligence), foi mostrado que o Brasil sofreu um aumento de ataques cibernéticos no segundo semestre de 2022, em relação ao primeiro e que esse índice é superior ao observado na média mundial, que foi de 13% no período.

De acordo com o relatório foram registrados mais de 285 mil ataques no país no período, cerca de 40% das 727 mil tentativas de invasão em toda a América Latina.

No ranking de países que mais sofrem ataques cibernéticos, estão:
Brasil: 285.529
Colômbia: 90.063
Argentina: 25.800
Equador: 24.540
Chile: 24.184
México: 15.328
Peru: 14.197
Venezuela: 2.537
Total da região: 727.686 (considerando um total de 21 países que compõem a América Latina)

Com ampla experiência no mercado corporativo, como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial e conselheiro consultivo, ressalto a importância da discussão em torno da segurança cibernética no Brasil e como os conselhos podem atuar para melhorias neste cenário de vulnerabilidade.

Segurança cibernética – um dos principais temas quando se fala em gerenciamento de riscos entre as organizações

A KPMG desenvolveu o estudo “Segurança Cibernética: Não Elabore Relatórios de ESG sem ela”, revelando que além de importantes temas como combate à corrupção, água potável e mudanças climáticas, a segurança cibernética está ocupando o topo da agenda de debates sobre ESG.

Os consumidores, diante do aumento do índice de casos de ataques cibernéticos, têm se preocupado cada vez mais com a vulnerabilidade dos dados fornecidos.

É crescente a demanda por transparência e posicionamento quanto à proteção da confidencialidade e uso da integridade dos dados pessoais tratados pelas empresas.

Casos de violação de dados causados por ataques à cibersegurança podem trazer graves consequências como danos à reputação da empresa, à marca e aos resultados financeiros.

Sob a perspectiva do gerenciamento de riscos, vale ressaltar que diante de riscos cibernéticos, se as empresas não adotarem ferramentas e métricas adequadas, não poderão vivenciar a sustentabilidade empresarial tal como é necessária na atualidade.
A segurança cibernética deve fazer parte da estratégia ESG e as áreas de gestão de riscos e tecnologia precisam estar alinhadas quanto às demandas de regulações relacionadas à segurança de dados para um ambiente digital mais seguro, transparente e ético.

Temos visto casos recorrentes de vazamentos de dados seja de empresa ou de clientes e os prejuízos que isso traz não são referentes apenas ao ambiente organizacional, mas à sociedade.

O relatório de Riscos Globais, divulgado pelo Fórum Econômico de 2023 evidenciou como uma das principais preocupações quanto ao tema, a ameaça de uma guerra cibernética.

A guerra cibernética é caracterizada por uma forma de conflito que envolve o uso de ataques cibernéticos com a finalidade de interromper, destruir ou desestabilizar sistemas críticos de computadores e redes, o que pode gerar graves prejuízos financeiros às massas e danos irreparáveis a sistemas.

Estamos em meio a inúmeras mudanças, grande parte das empresas ao redor do mundo vivencia a descentralização de seus espaços físicos, repensando seu modelo de trabalho no formato remoto.
É comum que profissionais tenham a opção de trabalhar (se assim desejarem) em espaços coworking, além disso, tem crescido a demanda por trabalhos que possibilitem o estilo de vida de nômade digital, ou seja, a facilidade do trabalho de qualquer lugar do mundo.

Essa evolução do trabalho, acelerada pela pandemia de Covid-19, forçou empresas do mundo todo a se transformarem digitalmente e o que antes poderia ser uma estimativa de mudança de longo prazo, se tornou uma vivência imediata.

Machine learning, automação de processos, avanços e atualizações dos chatbots, ferramentas de inteligência artificial , entre tantos recursos, se tornou a realidade de inúmeras empresas, que ainda estão adaptando suas operações e cultura ao novo, porém as políticas de segurança não foram atualizadas na mesma velocidade, sendo assim, estamos vivendo um contexto desafiador para a regulação quanto ao tratamento de dados no mundo.

No Brasil tem ocorrido inúmeros debates sobre a necessidade de um Marco de Cibersegurança e Soberania Digital, como defende estudo realizado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O artigo aborda a necessidade de que exista alinhamento na estratégia nacional por meio de uma lei que regulamente padrões mínimos para os níveis operacionais, a organização de suas dimensões e que estabeleça princípios, governança e formas de cooperação entre diferentes setores.

Conselhos como órgão fundamental para melhorias quanto às práticas de cibersegurança

A segurança cibernética tem exigido lugar de destaque entre os debates nas empresas, sendo assim, os conselhos assumem a posição de priorizar o tema nas agendas e direcionar estratégias para que seja uma realidade sustentável no mercado corporativo.


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