A situação crítica enfrentada por moradores da zona rural de Açailândia ganhou destaque durante audiência pública realizada no dia 23 de abril, na Câmara Municipal, conduzida pelo promotor de Justiça Denys Lima Rêgo. O encontro reuniu representantes do poder público, vereadores, sindicatos, empresas do agronegócio e moradores de diversas comunidades rurais.
A audiência teve como foco os problemas históricos relacionados às estradas vicinais, transporte escolar, saúde pública e impactos ambientais causados pela expansão agrícola no município.
Durante a abertura, o Ministério Público destacou que a audiência não seria apenas um ato formal, mas um espaço para buscar soluções definitivas e estruturantes para a população rural. O presidente da Câmara, Feliberg Melo, afirmou que o Legislativo acompanhará e fiscalizará os compromissos firmados.
Representantes da Aprosoja e das empresas Viena e AVB defenderam que a manutenção das estradas seria responsabilidade do Estado, mas admitiram a necessidade de ações compartilhadas, como a criação de patrulha rural e maior controle sobre pulverizações agrícolas.
Um dos pontos mais debatidos foi a ausência do prefeito Benjamim de Oliveira na audiência. Vereadores e moradores interpretaram a falta do chefe do Executivo como distanciamento das dificuldades enfrentadas pelas comunidades rurais.
Relatos dramáticos
A etapa mais impactante ocorreu quando moradores ocuparam a tribuna para relatar a realidade vivida nos assentamentos. Comunidades como Surubiju e Francisco Romão denunciaram o abandono das estradas, afirmando que precisaram realizar “vaquinhas” para garantir reparos mínimos nas vias.
Na área da saúde, moradores denunciaram falta de médicos, ausência de dentistas e ambulâncias quebradas há meses, especialmente no Assentamento Km 30.
Já na educação, foram relatadas dificuldades no transporte escolar, veículos precários e falta de merenda para estudantes da zona rural.
A estudante Ana Rebeca, moradora do Assentamento Francisco Romão, emocionou os presentes ao apresentar um vídeo-documentário mostrando a precariedade das estradas, o isolamento das famílias e as dificuldades enfrentadas por alunos durante o período chuvoso.
Prefeitura reconhece falhas
Durante a mesa-redonda, o secretário de Infraestrutura, Halan Nobre, reconheceu a ineficiência das ações paliativas realizadas em 2025 e prometeu um novo mapeamento de aproximadamente 400 quilômetros de estradas vicinais.
A secretária de Educação, Karla Janys, afirmou que o município fará revisão das rotas escolares e substituição de veículos inadequados.
Já a secretária de Governo, Maria da Paz, garantiu que os compromissos assumidos pelos secretários terão prioridade da gestão municipal.
Ao final, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adriana Oliveira, destacou a importância da mediação do Ministério Público e afirmou que as comunidades continuarão mobilizadas para fiscalizar o cumprimento das promessas.
Entre os principais encaminhamentos estabelecidos pelo Ministério Público estão:
- apresentação, em até 20 dias, de projeto de engenharia para recuperação das estradas;
- cronograma emergencial para comunidades em situação crítica;
- regularização do transporte escolar e fornecimento de merenda;
- reparo imediato de ambulâncias e fiscalização da escala de profissionais da saúde;
- estudo para criação do Departamento Municipal de Estradas Vicinais;
- criação de comissões de fiscalização com participação popular.
A audiência foi encerrada com o compromisso de acompanhamento permanente das medidas pelo Ministério Público e pelas comunidades rurais.

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