22 fevereiro 2019

Ausência de informação no site da Câmara de Imperatriz chama a atenção dos órgãos de controle

Contas de 2018, nas “notas liquidadas”: nome do prestador e o respectivo CNPJ 


Contas de 2017: ausência do nome e do CNPJ dos fornecedores em 62 das 67 páginas 

Um verdadeiro mistério deve intrigar técnicos de órgãos de controle de Contas Públicas quando eles se deparam com o site oficial da Câmara Municipal de Imperatriz dos anos de 2016 e 2017 e observam que sumiram nomes de fornecedores e seus respectivos CNPJs das Notas de Liquidação. Já nas de 2018, que ainda não foram mutiladas, surgem pagamentos que somam R$ 1.040.137,86 ( um milhão, quarenta mil, cento e trinta e sete reais e oitenta e seis centavos) para apenas dois fornecedores, ambos de “atividades econômicas” vastíssimas, que vão da venda de jóias à construção civil, sendo que um deles, que teria sede quase que porta com porta com a casa do legislativo municipal, sequer abre em horário comercial. 

Pelo portal da câmara de Imperatriz não dá para saber o que os vereadores consomem em termos de comidas, bebidas, impressos, material de expediente, etc. As informações estão ausentes das páginas reservadas para contratos. Mas sabe-se que consomem muito: ao fornecedor Comercial Bialuc foram pagos R$ 687.064,56 só em 2018, e ao Oliveira Castro Serviços e Comércio LTDA, R$ 353.073,30. 


As duas fornecedoras são uma espécie de “fazem tudo”, “resolvem-tudo” e “vendem de tudo”. A Bialuc tanto vende carnes como vende roupas, material elétrico, artigos esportivos, sapatos, misturas para chás e equipamentos para áudio e vídeo. 

Sede da Oliveira Castro, na Simplício Moreira, que não abre: tão pequena que não comportaria prateleiras para quase R$ 50 mil de cartuchos para impressoras 

A Oliveira Castro, que sequer abre as portas da única e minúscula sede da Rua Simplício Moreira, 1308, fornece comida, vidro e veneno para dedetização; faz consultoria contábil, agencia atletas e artistas, aluga carros, instala portas e janelas e faz instalações sanitárias, hidráulicas e de gás. No dia 21 de fevereiro do ano passado cobrou R$ 54.8000,00 pela recarga de cartuchos de impressoras e sete dias depois mais R$ 49.060,00 para fornecimento de mais cartuchos novos. 

Um vereador que no momento prefere ainda não ser identificado e que nos repassou essas informações, afirma que vai questionar os fatos no Ministério Público para pedir duas coisas: as notas fiscais pagas pela Câmara e a contabilidade desses dois fornecedores, “para saber se, de fato, eles tinham essas mercadorias em seus estoques para nos fornecer” , diz. 

Com os novos ventos de mudança que estão varrendo o país, exige-se por parte do legislativo de uma grande cidade como Imperatriz que haja total transparência. Espera-se também dos órgãos de controle que apurem essa situação, argumentou o parlamentar.

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