Laudo técnico aponta que quadra poliesportiva paga pela prefeitura não foi construída; Ministério Público também pede investigação criminal por peculato, fraude em contrato e falsidade ideológica.
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) identificou indícios
de uma “obra fantasma” em Buriticupu e decidiu ajuizar uma Ação Civil
Pública por improbidade administrativa contra o prefeito João Carlos
Teixeira da Silva, servidores municipais e uma empresa de construção civil.
A investigação aponta pagamento indevido de R$ 341.586,10
referente à primeira medição de um contrato para construção de uma quadra
poliesportiva na Unidade Integrada João Lisboa, localizada no povoado
Terceira Vicinal.
Segundo decisão assinada pelo promotor de Justiça Felipe
Augusto Rotondo, o valor foi empenhado, liquidado e pago integralmente,
mesmo sem evidências de que a obra contratada tenha sido executada.
Um parecer técnico elaborado por engenheiro do próprio
Ministério Público concluiu que não há sinais da construção da quadra
prevista no contrato.
Durante vistoria no local, foi encontrada apenas uma
estrutura metálica colocada sobre uma quadra já existente, sem qualquer
indício de serviços essenciais previstos na obra, como: escavação do terreno, terraplanagem,
fundações estruturais e concretagem da nova quadra.
De acordo com o laudo, os serviços pagos simplesmente não
existem, o que caracteriza superfaturamento por quantidade no valor
total da medição paga.
A investigação também detalha a cadeia administrativa que
permitiu a liberação do dinheiro público.
O processo passou por todas as etapas formais da prefeitura
e terminou com transferência bancária para a empresa contratada no dia 31 de
dezembro de 2024, último dia do ano.
Para o Ministério Público, a sequência demonstra uma cadeia
de validações administrativas que permitiu a saída do dinheiro público sem a
correspondente execução da obra.
Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a
presença do próprio prefeito no local.
Uma certidão produzida pelo MP confirma que João Carlos
Teixeira da Silva aparece em uma fotografia no espaço apresentado como sendo a
obra, acompanhando a área após notificação do Ministério Público.
Segundo o promotor, o registro indica ciência direta da
situação do local, mesmo quando documentos administrativos indicavam a
execução da obra.
A ação foi proposta contra:
- João
Carlos Teixeira da Silva – prefeito de Buriticupu
- Afonso
Barros Batista – chefe de gabinete e ordenador de despesas
- Salma
Sousa Torres – secretária municipal de Educação
- Ruan
Guimarães Alves – fiscal de contrato
- Josias
da Silva Costa Filho – fiscal apontado em aditivo contratual
- Paulo
Ricardo Lopes Paiva – controlador do município
- JKF
Construções e Serviços Ltda.
- Johnatas
Isac Santos Faustino – representante da empresa
O Ministério Público também determinou a identificação
formal das assinaturas no boletim de medição da obra, documento que teria
atestado a execução dos serviços pagos.
Os envolvidos podem sofrer ressarcimento ao erário, perda de função pública, suspensão de direitos políticos e pagamento de multas, além de eventual responsabilização criminal.
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