23 abril 2026

Mais de R$ 30 milhões em emendas em Buriticupu. Relatório da prefeitura não convence e MP vai aprofundar investigação sobre destino dos recursos.

 


O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) intensificou a fiscalização sobre a aplicação de recursos públicos em Buriticupu e abriu nova frente de investigação para apurar falhas na transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares que somam mais de R$ 30,3 milhões entre os anos de 2020 e 2025.

A medida foi formalizada por meio da Decisão nº 337/2026, assinada pelo promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo, no âmbito de procedimento administrativo que acompanha a destinação dessas verbas no município.

Embora a Prefeitura tenha apresentado resposta oficial acompanhada de um plano de ação, o MP foi direto: os documentos não comprovam, na prática, que os recursos foram aplicados com transparência. Para o MP, ausência de contas bancárias individualizadas; falta de identificação clara dos beneficiários finais; deficiência nos mecanismos de rastreamento do dinheiro público apontam para a necessidade de aprofundar a investigação.

Para o Ministério Público, essas lacunas indicam uma possível desorganização estrutural na gestão dos recursos.

Outro ponto crítico destacado na decisão é a falta de comprovação documental. A gestão municipal afirmou não realizar saques em espécie nem utilizar “contas de passagem”, mas não apresentou extratos bancários ou documentos que sustentem essas alegações.

Além disso, o município não comprovou a existência de transparência ativa — ou seja, a disponibilização clara e acessível dessas informações no Portal da Transparência.

Segundo o MP, essa omissão pode violar diretamente a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF nº 854, que estabelece regras rígidas para publicidade e rastreabilidade de emendas parlamentares em todo o país.

Para aprofundar a apuração, o MP determinou uma série de diligências simultâneas:

  • Solicitação ao Banco do Brasil de todas as contas vinculadas ao município, com extratos completos desde 2020;
  • Requisição à Controladoria-Geral da União (CGU) de dados detalhados sobre todas as emendas destinadas a Buriticupu;
  • Pedido de informações ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) sobre eventuais irregularidades ou alertas.

O objetivo é cruzar informações de diferentes fontes para identificar inconsistências e possíveis irregularidades na aplicação dos recursos.



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