O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da 2ª Promotoria de Justiça Especializada de Açailândia, converteu em Inquérito Civil a investigação que apura supostas irregularidades na execução de obras de pavimentação e calçamento no Povoado Califórnia, em Açailândia.
A medida foi formalizada pela Portaria nº 38/2026,
assinada pelo promotor de Justiça Denys Lima Rêgo, e amplia as
investigações relacionadas ao Processo Administrativo nº 28502/2025 e ao
Contrato nº 0816/2025, celebrado entre o Município de Açailândia e a empresa PLAMONTEC
– Planejamento Obras Terraplenagem LTDA.
Segundo o Ministério Público, auditoria técnica de
engenharia e levantamentos georreferenciados identificaram graves
inconsistências na execução e medição dos serviços. Entre os fatos
apontados estão suspeitas de pagamentos por metragens fantasmas,
inclusão de vias inexistentes, ausência de dedução de interseções viárias e
inconsistências na aplicação de microrrevestimento asfáltico.
O relatório técnico também aponta que serviços teriam sido
executados de forma inadequada, com aplicação de microrrevestimento asfáltico a
frio sobre solo cru, situação que, segundo os elementos reunidos na
investigação, poderia provocar a deterioração prematura das obras.
De acordo com a Portaria, a Prefeitura de Açailândia já
realizou pagamentos superiores a R$ 5,6 milhões à empresa contratada,
valores que agora passam a ser objeto de aprofundamento das investigações
diante dos indícios de possíveis irregularidades nas medições e atestos dos
serviços.
Com a transformação do procedimento em Inquérito Civil, o
MPMA deverá aprofundar a apuração sobre possíveis fraudes licitatórias,
simulação de projeto básico e Estudo Técnico Preliminar (ETP), falsificação de
dados geométricos, atestos supostamente falsos e eventual prejuízo aos cofres
públicos.
A Promotoria determinou ainda a realização de perícia
técnica de engenharia pelo Instituto de Criminalística do Maranhão
(ICRIM/MA). A Procuradoria-Geral do Município de Açailândia e a empresa
PLAMONTEC foram intimadas para, caso desejem, apresentar quesitos para a
perícia.
Outro ponto que chama atenção é a determinação para
realização de consultas no sistema SEI-C/COAF, com o objetivo de
rastrear movimentações financeiras dos investigados e verificar possíveis
indícios relacionados à ocultação de patrimônio ou lavagem de dinheiro.
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