21 agosto 2017

Imperatriz deve sofrer a maior crise de abastecimento de água de sua história

Por Elson Araújo

A cidade deve se preparar para a maior crise de abastecimento de água potável de sua história. E o que é mais grave, não há em curto e médio prazo, uma solução a não ser que comece logo a chover.  Para que o pior aconteça basta que o Rio Tocantins baixe mais 1,5 metros. É o que previu ontem o  coordenador de operações da regional da Caema  engenheiro Júnior Goiabeira durante reunião com representantes do Consórcio que administra a hidrelétrica de Estreito,  João Galdino Neto e Alan Capelari,  o  superintendente  municipal da Defesa Civil Chico do Planalto e a secretaria executiva daquele órgão .Elayne  Cristina,  e o diretor regional da Caema Rafael Heringer.  

A reunião foi pela manhã com o objetivo discutir uma saída para o iminente desabastecimento que tende ocorrer diante da previsão  que se faz a partir da informação de que a partir do primeiro dia de Setembro a Hidrelétrica de Serra da Mesa,  que hoje opera com 10% de sua capacidade, reduzirá sua  operação para 4,43%  o que afetará o funcionamento  das outras hidrelétricas  no mesmo corredor , como é o caso da Estreito que prevê diminuir a vazão atual de 770 metros cúbicos por segundo,  para 600  metros.
“Com isso o que se prevê é que o rio chegue 3,60 metros abaixo do marco zero a  jusante de Estreito”  informou Chico do Planalto.

 É por essa situação iminente que a Caema  prevê um possível  colapso no abastecimento regular de água para a população. Nesse aspecto, o diretor regional Rafael Heringer foi incisivo ao declarar que diante do quadro para as próximas semanas, a companhia não tem nenhuma solução emergente. Novas bombas foram instaladas para reforçar o abastecimento, e seriam suficientes para normalizar como um todo o abastecimento, caso não fosse o fenômeno da seca.

O encontro realizado ontem no Escritório Regional da Caema  decorreu de uma videoconferência  realizada pela Agência Nacional de Águas-ANA, no dia anterior,  no auditório do Ministério Público Estadual  em Imperatriz  na qual  os diretores daquela autarquia discutiram a situação  especifica do Rio Tocantins com representantes de várias cidades, do Maranhão e do Tocantins, banhadas por ele incluindo agentes públicos e membros da sociedade civil.

Consumo Consciente- Diante da atual situação  o diretor regional da Caema Rafael Heringer  declarou a  O Progresso que no momento  não basta a interveniência dos órgãos competentes é preciso que  a população também faça sua parte economizando ou fazendo o uso consciente e racional da água e ajudando a combater o desperdício que ainda é muito grande.

“Esta questão do abastecimento de água ultrapassou as competências da Caema. Se for preciso faremos o racionamento contundo, individualmente , o cidadão também pode fazer sua parte” concluiu  Heringer.

COMITÊ DE CRISE

O promotor de Justiça titular da Promotoria do Meio Ambiente Jadilson Cirqueira, responsável pela distribuição do oficio circular  que convidava para a videoconferência  declarou que a discussão sobre o tema não se esgotou nessa primeira reunião virtual com a ANA outros encontros deverão ocorrer até que se resolva a situação que ele reputa como gravíssima.  A próxima foi marcada para o próximo dia 29 de Agosto.

De acordo com o promotor Jadilson Cirqueira a videoconferência foi importante porque tratou-se de uma iniciativa da própria Ana  e também porque  foram anotadas,  o que seriam  algumas providências necessárias, e previstas em lei, como: (1)  a criação de um comitê de crise pela própria Ana (2)  definida, numa data ainda a ser confirmada, uma visita dos diretores da ANA à  região (3) a veiculação de uma nota técnica sobre a situação atual e futura do Rio Tocantins.


Outro aspecto importante da videoconferência, segundo avalia, o promotor de Justiça Jadilson Cirqueira foi a participação de representantes do Operador Nacional do Sistema (NOS) órgão responsável pela coordenação e controle da operação da geração e transmissão de energia elétrica, que admitiram, como medida extrema para que a população não venha a sofre com o desabastecimento de água,  caso a situação não se normalize, a determinação para o desligamento das turbinas das hidrelétricas. 
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