08 abril 2019

Com cartão SUS e livro de produção, prefeito de Porto Franco consulta em sua residência e diz que serviço é voluntário

Sem higiene, ar condicionados e atendentes, prefeito vende como bondade o atendimento que deveria ser realizado na Unidade de Saúde, se tivesse atendimento.

“Nem o presidente da República pode me impedir de atender na minha casa”, disse o prefeito da cidade de Porto Franco, que é médico, mas provavelmente a frase deve ser um recado aos seus opositores e não para Bolsonaro.

Há menos de 2 anos do processo eleitoral, Nelson Horácio vê no atendimento diário em sua residência uma porta para sua reeleição, o problema é que a atitude é claramente eleitoreira, visto que em nenhum outro período, a não ser o de campanha, o médico abriu a porta da sua residência para atendimento. 

Todos os dias, peregrinos amanhecem na porta de sua porta logo cedo pela manhã. As filas denunciam a precariedade do atendimento que deveriam ser realizados de forma convencional, nos consultórios das Unidades de Saúde descentralizadas, isto é, nos bairros da cidade e pré-diagnosticados pela triagem do PS, a fila matinal, na verdade, denuncia o descaso da saúde pública que limitou o numero de médicos nos postos para forçar o atendimento precário na casa do prefeito. 
Registro e cartão SUS revela que serviço não é voluntário, resta saber quem
assina a receita.
Mesmo arrotando que o atendimento é voluntário, da sua parte, o médico prefeito cobra o cartão SUS de quem busca atendimento, usa livro de registro de atendimento, carimbo e bloco de receitas do município. No improviso do atendimento que economiza médicos, ar condicionados e contratação de servidores, Nelson não rejeita fotos, poses e vídeos afirmando que a “oposição” fala porque não quer ver o povo na minha casa, a ladainha, é vista como argumento para se tornar vítima em caso de intervenção do Ministério Público e faz parecer gracioso o que não passa de um atendimento precário e sem o mínimo de conforto ou higiene.

Nos corredores da feira municipal os mais matreiros afirmam que no período que a justiça impede o atendimento, o médico prefeito dirá que só não vai atender porque a oposição impediu. Por outro lado, o silêncio do Ministério Público diante dos descasos registrados no palácio municipal é tão grande que é impossível ouvir o barulho do teclado do computador na sala ao lado.



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