10 março 2020

Acessibilidade nas Universidades brasileiras ainda é um desafio




Por Daiana Baraza

Muitas universidades ainda não se encontram plenamente preparadas para atender o público deficiente. A acessibilidade nas universidades ainda é um desafio para muitas instituições, o que para o consultor em acessibilidade, Ralph Chezzi, da Bump Comunicação Visual, precisa ser vencido:

“A Lei de Acessibilidade nº 10.098, prevê que os ambientes sejam adaptados para promover a inserção de todos os tipos de deficiência. É preciso atender ao público cadeirante, de deficientes auditivos, visuais e mentais. Muitas universidades ainda precisam rever a questão da inclusão em seus espaços”, alerta.

Quando o assunto é acessibilidade nas universidades, o Brasil tem muitas barreiras a vencer já que menos de 7% da população deficiente possui ensino superior completo, sendo assim, é fundamental que se pense na inclusão em todas as suas complexidades, que vão desde a adaptação dos espaços físicos até às condutas que os profissionais precisam assumir para atender o público deficiente.

Dentre as universidades referência na inclusão de estudantes com deficiência, está a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), que chegou a ganhar o prêmio Nacional de Acessibilidade na Web em 2016.

A Universidade UNIRIO possui comitê específico que trata de questões sobre inclusão. São promovidas palestras sobre a educação de pessoas com deficiência; há adaptações em toda a estrutura física do local para atender ao público deficiente e são realizadas atividades culturais com a finalidade de integrar o aluno com deficiência, entre outras ações.

Leis e regras de Acessibilidade para Universidades – Fique por dentro

A acessibilidade, segundo a Lei de Acessibilidade nº 10.098:

Abrange a condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive, seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado, de uso coletivo, tanto na zona urbana, como rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.

São consideradas barreiras, conforme a norma:

Qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa ao exercício de seu direito à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança.

As barreiras, segundo a Lei, podem ser:

Barreiras urbanísticas – presentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo;
Barreiras arquitetônicas – são as existentes em edifícios públicos e privados;
Barreiras nos transportes – existentes nos sistemas e meios de transporte;
Barreiras nas comunicações e na informação – trata-se de qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens ou de informações, por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;
Barreiras atitudinais – trata-se de atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas;
Barreiras tecnológicas – são aquelas que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias.

“Sendo as universidades consideradas espaços públicos ou privados, é essencial que se conte com a execução nas normas de acessibilidade, rompendo com as barreiras urbanísticas, arquitetônicas, na comunicação e na informação, tornando o lugar, espaço de todos”, esclarece Chezzi.

Rampas de acesso/placas/braile/pisos táteis – transformando o ambiente com a acessibilidade

Para promover a acessibilidade nas universidades, o design e a comunicação visual podem auxiliar. O consultor em acessibilidade, explica sobre alguns itens que não podem faltar na adaptação dos espaços públicos ou privados para a inclusão das pessoas com deficiência.

Rampas de acesso – São imprescindíveis para auxiliar na locomoção de cadeirantes e de pessoas com a mobilidade reduzida.

“Além das rampas de acessos serem fundamentais nos espaços das universidades, também é preciso que haja sinalização para que sejam facilmente localizadas”, esclarece o especialista.

Placas de sinalização – As placas de sinalização também são essenciais, indicam as direções, orientam quanto à localização de diferentes ambientes, indicam as saídas de emergência, elevadores, etc.

“Precisam atender a todas as normas e regulamentações vigentes para que o local seja de ‘fácil acesso’ a todas as pessoas”, explica.

Braile – A inscrição em braile nas placas de sinalização também é fundamental para promover a acessibilidade nas universidades.

“O público deficiente visual ou de baixa visão também precisa ser atendido quanto à acessibilidade nas universidades, portanto, a inscrição em braile é indispensável”, orienta Chezzi.

Pisos táteis – Essa é outra importante regra presente na Lei de Acessibilidade, que sejam instalados os pisos táteis em locais estratégicos.

“Esse é um recurso fundamental para garantir o bem-estar da pessoa com deficiência visual, precisa estar presente na entrada, sinalizar a mudança de ambientes, estar presente antes dos elevadores, antes e no final das rampas de acesso, antes e no final de cada lance de escadas, etc.”, explica.

Inclusão e cidadania andam juntas

Inclusão não se trata de uma “ação de praxe” para que os locais atendam às normas, é um exercício de cidadania. Pessoas precisam se sentir incluídas nos ambientes em que frequentam.

A Arquitetura e Engenharia Civil precisam incorporar em seus projetos essa preocupação, para que os lugares atendam a todos os públicos, para que as pessoas consigam se locomover sem dificuldades, em segurança.

Nas universidades, a questão da acessibilidade é ainda mais importante:

“O objetivo das universidades é a formação profissional e de certa forma “social” de pessoas, por isso, a questão da acessibilidade é ainda mais essencial nesses espaços, é preciso atender a todos os públicos, promover a inclusão social de pessoas com deficiência e garantir que o espaço dedicado ao ensino, também seja uma referência de cidadania”, finaliza.

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