Ministério Público apura paralisação de creche financiada com recursos federais em Carolina, que já deveria ter sido reiniciada na gestão atual
O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) instaurou procedimento administrativo para acompanhar e apurar a retomada de obras da educação básica no município de Carolina, sul do estado, com destaque para a Creche do Bairro Nova Carolina, financiada com recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A medida foi formalizada por meio da Portaria nº 4/2026 – PJCAR, assinada pelo promotor de Justiça Marco Túlio Rodrigues Lopes, que converteu a Notícia de Fato SIMP nº 000940-012/2024 em Procedimento Administrativo Stricto Sensu (PASS). O objetivo é acompanhar as providências adotadas pela gestão Jaime da Pipes, e apurar eventuais responsabilidades cíveis e administrativas.
Segundo informações do próprio FNDE, o município de Carolina possui sete obras da educação básica com inconsistências, sendo a situação mais crítica a da creche localizada no Bairro Nova Carolina (Obra nº 1005806). A construção integra o Termo de Compromisso nº 6940/2013, cuja vigência se encerrou em 30 de novembro de 2024, sem que a obra fosse concluída.
De acordo com o relatório citado na portaria, a creche apresenta apenas 42,22% de execução física, encontrando-se paralisada há anos. O Ministério Público aponta inexecução contratual por abandono da empresa responsável, a PAVICOL SERVICE EIRELI, contratada por meio da Tomada de Preços nº 005/2019. O contrato expirou em 11 de julho de 2022, sem que a obra fosse finalizada ou que medidas eficazes fossem adotadas para sua retomada.
Para o MPMA, a inércia da administração municipal diante da proximidade do fim da vigência do termo federal pode resultar em prejuízos ao erário, além de comprometer o direito fundamental das crianças à educação infantil, assegurado pela Constituição Federal.
Atuação do MP e possível responsabilização
A portaria destaca que a investigação foi instaurada ex officio, após reunião com o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Direito à Educação (CAOP/EDU), no âmbito do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica.
O procedimento administrativo tem como finalidade acompanhar a adoção de medidas concretas para a retomada e conclusão da obra, bem como apurar responsabilidades de gestores e eventuais terceiros envolvidos, inclusive no campo da probidade administrativa.

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