A desaprovação da atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vem aumentando entre os brasileiros. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 26. A avaliação negativa passou de 40% em maio deste ano para 47% agora. O índice é o mais alto já registrado desde o início da série histórica, em 2019.
A avaliação positiva é de 18% – a mais baixa já verificada, e que se repetiu no levantamento de dezembro de 2019. Na atual pesquisa, 31% consideram o trabalho do STF regular, e 4% não opinaram.
O aumento da desaprovação acontece na esteira das revelações sobre indícios que ligam ministros da Corte a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Como revelou o Estadão, Alexandre de Moraes e Vorcaro trocaram 52 mensagens em 21 dias. Algumas delas a poucos dias de Vorcaro ter sido preso. As últimas notícias envolvem relações com Kássio Nunes Marques e Luiz Fux, com supostos vínculos e pagamentos aos filhos dos ministros. André Mendonça, por sua vez, confirmou encontro com Vorcaro no início de 2025. Os ministros negam ilegalidades.
A pesquisa Datafolha mostra a percepção entre eleitores dos dois principais candidatos à Presidência da República. Entre os eleitores de Lula (PT), 32% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom. Já entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice é de 6%. O padrão muda quando a avaliação é negativa. Entre os dizem votar em Flávio, 69% consideram o trabalho dos ministros do STF ruim ou péssimo, ante 24% dos eleitores de Lula.
O reflexo da atuação dos ministros sobre a campanha do presidenciáveis também foi avaliado na pesquisa. Para 33%, a atuação dos ministros mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Outros 23% afirmaram que o presidente Lula é mais prejudicado do que beneficiado pelo STF.
O levantamento ainda consultou os eleitores sobre que condutas dos ministros seriam ou não aceitáveis. A que teve maior rejeição, 88%, é um membro da Corte julgar processos de pessoa cujo advogado seja seu parente. Aqueles que veem como inaceitável um ministro aceitar convites para eventos pagos por empresas com ações no tribunal somam 85%. Já 82% apontam reprovam decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos a presidente durante o período eleitoral.
Embora em patamar alto, as práticas menos rejeitadas são um ministro ser sócio de empresa privada durante o exercício do cargo (78%), receber pagamentos por palestras de empresas privadas (78%) e dar entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento (71%).
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